Os pesquisadores enfrentam cada vez mais problemas relacionados a práticas desonestas nas publicações. Entre os tipos mais comuns de publicações desonestas estão: revistas predatórias, clones e falsificações. Elas prejudicam a reputação dos pesquisadores e minam a confiança nas bases de dados científicas. Compreender as diferenças entre revistas desonestas ajuda os cientistas a evitar armadilhas e a publicar seus trabalhos exclusivamente em publicações de prestígio. Neste artigo, examinaremos as principais características de cada tipo, bem como as consequências de publicar nelas.

Qual é a diferença entre uma revista predatória, um clone e uma revista falsa?

Revistas predatórias: como identificá-las?

As revistas predatórias frequentemente se disfarçam como publicações confiáveis, que podem até mesmo ser temporariamente indexadas em bases de dados scientométricas de renome, como o Scopus ou o Web of Science. Isso ocorre porque a verificação das revistas não é feita imediatamente, mas após um certo tempo – às vezes, vários anos. O processo de monitoramento pode ser acelerado se for enviada uma reclamação ou solicitação sobre atividades suspeitas.

O principal objetivo dessas revistas é maximizar o lucro. Elas cobram taxas de publicação, mas ignoram os padrões de qualidade e a ética científica. Como resultado, em vez de uma revisão rigorosa, as editorias publicam uma quantidade enorme de artigos — por exemplo, dezenas de edições por ano com milhares de trabalhos.  

Muitos desses trabalhos não atendem às normas internacionais. Frequentemente, por trás dessas revistas estão redes editoriais inteiras, que criam várias plataformas semelhantes para aumentar a receita. No fim das contas, os autores recebem uma “publicação”, mas sem valor científico real.


Publicações-clones: cópia integral para fins fraudulentos

Ao contrário das publicações predatórias, as revistas-clones não criam nada de novo, mas duplicam integralmente publicações de renome que já existem. Eles copiam tudo: 

  • design do site 
  • ISSN
  • composição do conselho editorial
  • regras para envio de materiais 
  • política de privacidade e outros aspectos


O objetivo deles é fazer uma cópia tão parecida com o original que os autores não consigam distinguir facilmente a falsificação. Os golpistas costumam escolher para clonagem revistas difíceis de encontrar nas buscas, por exemplo, aquelas pertencentes a grandes editoras. Eles criam um site falso, cobram pelo “publicação” em nome da revista verdadeira, mas, no fim das contas, o artigo não é indexado em lugar nenhum. Como resultado, os pesquisadores perdem não só seu tempo, mas também dinheiro.


Revistas falsas: características que denunciam a manipulação

As revistas falsas são as mais rudimentares entre as publicações desonestas. Normalmente, elas não são indexadas em nenhuma base de dados. Além disso, não dedicam atenção suficiente ao conteúdo de seu site. Por exemplo, nessas revistas podem faltar informações sobre a redação, o processo de revisão ou a ética editorial. Além disso, os fraudadores podem simplesmente ignorar seções obrigatórias, o que torna o site suspeito à primeira vista.

No entanto, há uma série de aspectos que indicam que se trata de uma revista falsa. O que é preciso levar em consideração? Outros sinais de falsificação incluem links de URL ilógicos, que não correspondem ao tema, ou pequenas alterações no título (por exemplo, adição/remoção de uma letra ou palavra), no logotipo ou no endereço do site. 

Muitas dessas plataformas são baseadas no sistema gratuito Open Journal System (OJS), pois ele é fácil de configurar e está acessível a todos os usuários.  


Quais são os riscos de publicar em revistas de má reputação?

Independentemente do tipo de revista, publicar nessas publicações pode ter consequências de longo prazo para a reputação do pesquisador e sua carreira. Quais são elas?

  1. Perda de reputação acadêmica. A publicação em uma revista desonesta pode minar a confiança dos colegas, instituições científicas e organizações financiadoras no pesquisador. Essas revistas são frequentemente associadas a baixa qualidade ou fraude, o que pode levar a dúvidas sobre a competência profissional do autor.
  2. Falta de reconhecimento. Artigos publicados em revistas desonestas geralmente não são considerados na avaliação da atividade científica, por exemplo, durante a defesa de tese, na obtenção de bolsas ou cargos acadêmicos.
  3. Perdas financeiras. A maioria das revistas predatórias cobra taxas de publicação, mas não oferece nenhuma garantia. Os pesquisadores podem gastar quantias significativas sem obter nenhum benefício para sua carreira.
  4. Visibilidade e impacto limitados. Artigos em revistas desonestas raramente são lidos ou citados pela comunidade científica, uma vez que essas publicações não são indexadas em bancos de dados de referência. Isso reduz o impacto potencial da pesquisa e sua contribuição para a ciência.
  5. Problemas jurídicos e éticos. Em alguns casos, os autores podem, sem saber, violar normas éticas ao publicar em revistas que ignoram os padrões de integridade acadêmica. Consequentemente, isso pode levar a acusações de falta de integridade.
  6. Perda de tempo e recursos. A preparação de um artigo para publicação exige um esforço considerável e, se a revista se revelar desonesta, esse esforço é desperdiçado. Além disso, a revisão e a avaliação nessas revistas costumam ser superficiais ou inexistentes, o que não contribui para a melhoria da qualidade do trabalho.


Compreender as diferenças entre revistas predatórias, clones e falsas é fundamental para proteger sua carreira científica. Antes de enviar um artigo para a redação, verifique cuidadosamente a indexação da publicação, leia as avaliações de outros cientistas e analise o site da revista. Caso você identifique sinais de atividades desonestas, envie uma denúncia ao banco de dados. Dessa forma, você não apenas evitará danos à sua reputação, mas também ajudará a não cair nas armadilhas dos fraudadores.

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